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Companhia Agrícola de Ribeirão Preto
Propriedade do Conde do Pinhal
(reportagem do Brasil Magazine de 1906)
Este importante estabelecimento agrícola do Município de Cravinhos, é um dos que figura no primeiro plano das grandes propriedades de café do Estado de São Paulo.
Há quinze anos atrás,(1891) justamente quando mais forte dominava a febre das especulações, alguns capitalistas fluminenses, organizaram uma sociedade anônima, adquirindo no município de Cravinhos, diversas propriedades que reunidas, sob uma só direção constituíram a Companhia Agrícola de Ribeirão Preto.
Poucos anos mais tarde, quando já vagamente desenhava-se a crise do café, que até aos nossos dias ainda perdura, resolveram os organizadores, liquidar a mesma sociedade, procedendo a venda da nova Companhia, que foi adquirida pelo grande agricultor paulista o Conde do Pinhal.
A antiga Companhia Agrícola compunha-se das seguintes fazendas reunidas: Chimorazio, (sede) Monte Belo, Parnasso, Tanque, Santo Antonio, Matão, Engenho, Santa Maria e Revolta. Nove fazendas com área de cinco mil alqueires de terras, ligadas por uma estrada de ferro particular com cerca de vinte quilômetros de trilhos. Possuía a Companhia, dois milhões de pés de café em produção.
Todo o transporte do café, tanto da roça ao terreiro, como para o embarque do produto já beneficiado, era exclusivamente feito pela estrada particular, cujo material de transporte, além de grande número de gôndolas e dois carros de passageiros, eram puxados por locomotivas; Alfa a menor usada em manobras. Omega, para o transporte do café da roça e Chimborázio, a mais possante para o transporte do café beneficiado para a Estação da Cia. Mogiana.
A sua produção dos últimos anos foi em 1901, de 47 mil sacas beneficiadas; em 1902, 28 mil sacas; em 1903, 31 mil sacas; em 1904, 40 mil sacas; em 1905, 50 mil sacas; em 1906, 62 mil sacas que representam 250 mil arrobas de café beneficiado.
Possui a Companhia, uma população de quatro mil trabalhadores rurais, morando nas nove colônias disseminadas pelas fazendas, os mais aperfeiçoados maquinismos para o tratamento do café; vastíssimos terreiros ladrilhados, sendo a despesa anual de 400 a 500 mil cruzeiros. (para mais de 30 milhões de cruzeiros seria o custeio de hoje, 1956).
O Conde do Pinhal deu um enorme e valioso incremento a esta importantíssima lavoura, em cujo futuro ele depositava uma inabalável confiança.
O seu inesperado falecimento em 1901, deixou nas mãos de seus herdeiros, uma grande responsabilidade.
Assumiu então a direção, em nome de todos os herdeiros, seu genro, o Dr. Firmiano de Moraes Pinto, antigo Deputado Federal, ex-Secretário de Estado das pastas da Agricultura, Fazenda e da Justiça do Estado de São Paulo. (Em reconhecimento pelos serviços que prestou à cidade de São Paulo como Prefeito e Governador durante a revolução de julho de 1924, foi inaugurado o seu busto em bronze, na Praça Buenos Aires) |